LITERATURA LUSO BRASILEIRA

Este espaço nasce para fazer um passeio poético pela História da Literatura Portuguesa X Brasileira, nos dias atuais. Para fortalecer a forma como ela se constroi, destacando como a formação da língua luso brasileira está no centro do debate e o quanto ela precisa dos textos literários para ganhar autonomia e independência. Falaremos também dos poetas e seus processos de criações e da identidade desse povo.

Este espaço apresenta José Carlos Borges, um poeta luso-brasileiro membro imortal da Academia de Letras do Brasil, cadeira nº 1, correspondente de Lisboa-Portugal.

JOSÉ CARLOS BORGES – Por ele mesmo…

“Nascido nos anos cinquenta do milénio passado, sob o signo de libra, mais tarde me inteirei que sou tigre pelo horóscopo chinês, registado com o nome de José Carlos, por apelido Borges. Fui mandado para ler e escrever, e fazer contas também, desde os seis aos dezasseis anos, com aproveitamento suficiente para justificar as bolsas de ajuda por carência de meios.

Contudo fui também malandro, jogador de futebol, estudante, migrante por opções ideológicas, retornando ao país onde me fiz gente com a queda da ditadura reacionária, em vinte e cinco de Abril de mil novecentos e setenta e quatro, no serviço militar fui saneado, após nove meses de desalinhos, e lá iniciei as buscas para entrar no mercado de trabalho.

Comecei na recolha de resíduos em fornos eléctricos de transformação de pedra em cal para soda, para apoio da indústria do vidro, entre outras, trabalhei como operário em empresas de transformação de polímeros (plásticos), daí me infiltrei no controle da qualidade, mais tarde consegui trabalho numa multinacional que montava cabos e os juntava para circuitos eléctricos dos automóveis, aí trabalhava no departamento da garantia da qualidade, no sector das auditorias internas e externas, essa a razão pela qual passei a viajar pelo mundo.

Porém, meu fascínio sempre foi a escrita e assim me tornei escrevinhador de sentires. De poema em poema, com contos e estórias de permeio, fui fazendo um espólio de escritos que agora quero dar a conhecer ao mundo, com presunção e também ambição de passar conteúdos de cariz humanista, com uma renovada religião sem mestre, onde todos serão discípulos, seguindo instintos de liberdade, no doar e receber, no aprender e ensinar sem palestrantes, a palavra é de todos, sem mandantes nem mandados, amar perdidamente, toda a gente, poliamor como orientação, sem imposições, pela transparência, sem declinar, nem delegar deveres, sem estigmas ou preconceitos, sem homofobias, pelo respeito a todas as cores e géneros.

De tudo isso trata e propõe este espaço, igualmente meu poema que vos deixo aqui, na esperança de ser semente de reflexão e se conseguirem frutos à disposição de todos que terão a ventura de o ler e enxergar, sobretudo, o que não está explicito por incapacidade reconhecida do autor.”

Meus Versos    

Em os meus versos…

Não é difícil encontrar minha ventura

Em campo aberto afagada pelo sol,

Que a ledice espreita pela noite.

Em os meus versos…

É possível enxergar tanta ternura

Com o frio a se esconder em um lençol

Perante a desconfiança em um açoite.

A ventania a sibilar os sons alados

Que a brisa quente sempre adormece

Na corrente de um rio, em leito alerta,

Seguindo o rumo até ao cais, a voz dos fados,

Com a saudade recordando, em plena prece,

Um futuro anunciado que não desperta.

Em os meus versos…

Existe a esperança, de mão dada com a fé,

Na fonte desnudada à sede imensa,

No riso e no choro em toda a gente.

Em os meus versos…

Recitados por vezes em marcha à ré

Mas, olhando horizontes de luz intensa

Que sempre acompanham o presente

Com rimas envolventes em mistério,

Atravessando enigmas no dorso das vagas

Perdidas na areia da praia dos naufrágios,

Onde sucumbiam as naus do vasto império,

A marinhagem dizimada, plena de chagas,

E um futuro empenhado aos presságios.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: